As fotos da Capela (internas e externas) são obra de Cristina Suenaga, namorada do meu irmão Alexandre.
domingo, agosto 26, 2007
sexta-feira, agosto 24, 2007
Finalmente, vou começar a postar as minhas fotos do encontro dos Caraccio...
Estas fotos são de minha autoria...
Vou ver se escrevo um pouco mais também.
Logo que chegamos à Fazenda - atrasados, por sinal - o tour pela sede já estava em andamento. Essa moça de branco é a Susanna com o pai dela. Eles são os donos atuais da Fazenda Santa Maria, que fica no Distrito de Joaquim Egídio, Campinas.
Um pouco de história - meu bisavô Antonio chegou no Brasil com a família em 1888 - pai, mãe, 2 irmãos e uma irmã - vinham de Rovigo, na Itália. E foram todos trabalhar na lavoura de café, na Fazenda Santa Maria.
A Susanna e o pai mostraram muitos detalhes interessantes sobre a sede e sobre a vida numa fazenda no final do século 19. Houve um trabalho muito bacana de restauração da casa, e dá pra notar o cuidado que eles têm com a fazenda.
Nessa foto aqui embaixo dá para ver a Dona Alice, meu irmão Alexandre e a namorada Cris, meu primo Bruno e a tia dele, Heloísa. Dá pra notar a semelhança de traços entre o Alexandre e o Bruno, inclusive...
Quanto você ganha? (ou, pior, quanto você tira?)
Não, calma, não estou querendo ser indiscreta... :-)
Só quero fazer umas observações... Em inglês, o verbo é "earn" - "to earn a salary", por exemplo. "Earn" é o fazer por merecer, não o ganhar por ganhar. Uma pessoa conquista o seu respeito - em inglês fica "he earned my respect".
Penso que as nossas escolhas de palavras representam muito do que sentimos. Quando me perguntam "quanto dá pra 'tirar' por mês como tradutora?", fico com a impressão que, para aquela pessoa, traduzir é um bico, ou algo para "tirar" uma grana. Não "tiro" nada como tradutora, eu ganho. Na verdade, também não "ganho". Eu "conquisto"... porque ninguém me dá nada assim de graça, não...
É a mesma sensação que o "faço traduções" causa. Já cansei de ouvir: "você ainda está fazendo traduções?" - numa boa, apenas um pedido de informação. Dá uma idéia de algo provisório, não? Ninguém pergunta isso para um médico, advogado etc. O Dr. Fulano É médico. Ele não está "fazendo umas consultas". O Dr. Beltrano É advogado. Ele não está "fazendo umas petições, uns processinhos aí, sabe...".
É mais um "estar" tradutor... Não que a gente não tenha direito a mudar de vida, eu sou exemplo disso - fui bancária por 7 anos, mudei, agora SOU tradutora. Pode ser que mude de novo, sei lá. Mas enquanto eu estiver numa atividade, é definitivo. Como já dizia Vinicius, que seja infinito enquanto dure...
Voltando à pergunta lá do título, outro dia me perguntaram isso. Não diretamente, foi mais na linha do "quando é que dá pra tirar por mês com tradução?".
A resposta é que não dá para saber. Cada um ganha o que consegue. Tradutor trabalha com tantos tipos de clientes, serviços, necessidades diferentes... Além disso, cada um é cada um, e o que pode ser uma fortuna para mim, pode ser apenas razoável para você. Depende do seu estilo de vida, do momento de vida (está construindo seu patrimônio, tem filhos em idade escolar, ou adolescentes, ou na faculdade, ou não tem filhos, mora com os pais, cuida dos pais, etc etc etc), se você mora num bairro bom, ótimo, mais ou menos, se faz questão de ter carro (indo desde o "se andar tá bom" até diversos graus de conforto e luxo), se mora em casa própria ou de aluguel, ou se está pagando as prestações do imóvel... até se o cônjuge tem salário fixo conta - e muito - no nosso perfil financeiro como tradutores.
Há de tudo - desde os tradutores que mal conseguem pagar as contas até os que vivem bem, sustentam família... e vários aí no meio.
Mais ou menos como ator. Ou vocês acham que todos os atores ganham a fábula que a Julia Roberts, o Brad Pitt, etc, ganham?
Mas, na minha muito humilde opinião, tudo começa com a postura profissional que adotamos. Quem fala muito disso é meu amigo Danilo Nogueira, que mantém um ótimo blog:
http://tradutor-profissional.blogspot.com/
Por hoje é só, volto ao trabalho para "tirar" mais uma graninha... :-)
Só quero fazer umas observações... Em inglês, o verbo é "earn" - "to earn a salary", por exemplo. "Earn" é o fazer por merecer, não o ganhar por ganhar. Uma pessoa conquista o seu respeito - em inglês fica "he earned my respect".
Penso que as nossas escolhas de palavras representam muito do que sentimos. Quando me perguntam "quanto dá pra 'tirar' por mês como tradutora?", fico com a impressão que, para aquela pessoa, traduzir é um bico, ou algo para "tirar" uma grana. Não "tiro" nada como tradutora, eu ganho. Na verdade, também não "ganho". Eu "conquisto"... porque ninguém me dá nada assim de graça, não...
É a mesma sensação que o "faço traduções" causa. Já cansei de ouvir: "você ainda está fazendo traduções?" - numa boa, apenas um pedido de informação. Dá uma idéia de algo provisório, não? Ninguém pergunta isso para um médico, advogado etc. O Dr. Fulano É médico. Ele não está "fazendo umas consultas". O Dr. Beltrano É advogado. Ele não está "fazendo umas petições, uns processinhos aí, sabe...".
Explica-se: para muitas pessoas, a tradução é só um quebra-galho, um momento na vida delas, entre um emprego e outro, talvez. Quando me perguntam isso, sempre respondo, com simpatia: "Sim, sou tradutora".
É mais um "estar" tradutor... Não que a gente não tenha direito a mudar de vida, eu sou exemplo disso - fui bancária por 7 anos, mudei, agora SOU tradutora. Pode ser que mude de novo, sei lá. Mas enquanto eu estiver numa atividade, é definitivo. Como já dizia Vinicius, que seja infinito enquanto dure...
Voltando à pergunta lá do título, outro dia me perguntaram isso. Não diretamente, foi mais na linha do "quando é que dá pra tirar por mês com tradução?".
A resposta é que não dá para saber. Cada um ganha o que consegue. Tradutor trabalha com tantos tipos de clientes, serviços, necessidades diferentes... Além disso, cada um é cada um, e o que pode ser uma fortuna para mim, pode ser apenas razoável para você. Depende do seu estilo de vida, do momento de vida (está construindo seu patrimônio, tem filhos em idade escolar, ou adolescentes, ou na faculdade, ou não tem filhos, mora com os pais, cuida dos pais, etc etc etc), se você mora num bairro bom, ótimo, mais ou menos, se faz questão de ter carro (indo desde o "se andar tá bom" até diversos graus de conforto e luxo), se mora em casa própria ou de aluguel, ou se está pagando as prestações do imóvel... até se o cônjuge tem salário fixo conta - e muito - no nosso perfil financeiro como tradutores.
Há de tudo - desde os tradutores que mal conseguem pagar as contas até os que vivem bem, sustentam família... e vários aí no meio.
Mais ou menos como ator. Ou vocês acham que todos os atores ganham a fábula que a Julia Roberts, o Brad Pitt, etc, ganham?
Mas, na minha muito humilde opinião, tudo começa com a postura profissional que adotamos. Quem fala muito disso é meu amigo Danilo Nogueira, que mantém um ótimo blog:
http://tradutor-profissional.blogspot.com/
Por hoje é só, volto ao trabalho para "tirar" mais uma graninha... :-)
quinta-feira, agosto 23, 2007
Nada a ver com tradução, mas tradutora também vive.
Domingo passado, 19/8, conseguimos realizar um encontro familiar - os Caraccio finalmente se encontraram. A maioria eu não conhecia, e os que eu conhecia, não via há anos.
Seguem as fotos - depois escrevo mais. O próximo blog (com domínio próprio e tudo) já vai ser mais organizadinho.
Prometo.
Seguem as fotos da Fazenda Santa Maria, onde meu bisavô trabalhou, conheceu minha bisavó e casou.
Essas primeiras fotos são de autoria do meu primo Ademar Boulhosa.





Domingo passado, 19/8, conseguimos realizar um encontro familiar - os Caraccio finalmente se encontraram. A maioria eu não conhecia, e os que eu conhecia, não via há anos.
Seguem as fotos - depois escrevo mais. O próximo blog (com domínio próprio e tudo) já vai ser mais organizadinho.
Prometo.
Seguem as fotos da Fazenda Santa Maria, onde meu bisavô trabalhou, conheceu minha bisavó e casou.
Essas primeiras fotos são de autoria do meu primo Ademar Boulhosa.





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terça-feira, julho 31, 2007
Teste de feeds
quinta-feira, maio 31, 2007
Tapinha nas minhas costas...
Gostaria de deixar registrado aqui. Tapinha nas minhas costas. No dia 25/5/07 completei um desafio - trabalho imenso, prazo curtíssimo e, para ajudar, tudo em papel. Precisei repassar um pouco (talvez uns 10% do total, ainda não parei para ver isso), mas terminei, deixei o cliente satisfeito. E eu fiquei aliviada.
Só para registrar.
Na correria, às vezes nos esquecemos dessas pequenas vitórias.
Gostaria de deixar registrado aqui. Tapinha nas minhas costas. No dia 25/5/07 completei um desafio - trabalho imenso, prazo curtíssimo e, para ajudar, tudo em papel. Precisei repassar um pouco (talvez uns 10% do total, ainda não parei para ver isso), mas terminei, deixei o cliente satisfeito. E eu fiquei aliviada.
Só para registrar.
Na correria, às vezes nos esquecemos dessas pequenas vitórias.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Uma mensagem antiga, em resposta a pedido de orientação
Olá, leitores,
Faz tempo que não coloco nada aqui - aliás, faz tempo que não faço nada além de trabalhar, trabalhar, trabalhar!!! É ótimo, eu sei, não me queixo - mas os prazos podiam ser um pouquinho mais tranquilos... (mas se fossem eu ia deixar para a última hora, então é melhor não mudar nada!).
Estou aqui, me aquecendo para mais um dia de trabalho, e resolvi apagar algumas mensagens do meu Outlook Express. Quase não o uso mais, pois tenho usado o gmail.com - e estou muito satisfeita. Então, aos poucos, vou limpando o OE.
Achei uma mensagem antiga, de novembro de 2005, enviada em resposta a uma mensagem de uma moça, formada na faculdade de Tradução havia 4 anos e que estava com dificuldade para entrar no mercado.
Acho que ela se ofendeu com os meus comentários, pois enviou uma mensagem educada, mas tipo "desculpe ter incomodado". Expliquei novamente o meu jeito, mas enfim, não recebi resposta.
Antes de jogar a mensagem fora, achei uma boa colocá-la aqui, apenas editando algumas passagens mais específicas. Espero que sirva para alguém. Meu jeito de escrever é muito direto e algumas pessoas se ofendem - mas considerem que foi uma resposta escrita às pressas, então não dá para ficar enfeitando muito.
No primeiro email, ela se apresenta e reclama da falta de clientela e que os "bicos" que fazia eram arrumados através de indicações de amigos.
O principal, que acabei não cobrindo na minha resposta a ela, é a postura. Se você considera aquilo que você deseja que seja sua carreira como um "bico", a coisa vai mal. Tem que dizer "sou tradutora", mesmo que não traduza nada há alguns meses. E dizer com orgulho, de boca cheia. E tem que batalhar trabalho, e não ficar aguardando indicações. Quando somos autônomos, ou empresários, profissionais independentes, o que seja - não podemos ser tímidos.
"Olá, XXXXX
Normalmente eu não atendo pedidos de orientação, ajuda, conhecer o mercado etc, por email ou por telefone. Mas, por ser um pedido de um colega de trabalho do meu irmão, abri uma exceção no seu caso.
Não é convencimento, nem nada do gênero, mas como participo muito de diversos fóruns pela internet, muita gente entra em contato e pede "uma força", "uma orientação", "trabalhos excedentes", "indicações" etc. Sou extremamente ocupada, mal tenho tempo de fazer o que preciso (se visse meu escritório, você ia entender!), tenho um filho de 2 anos, marido, casa, etc. E, se vou parar para escrever uma mensagem para cada um, tomo tempo do meu trabalho, do meu convívio familiar, do meu sono... Então, normalmente, escrevo uma mensagem bem curta (porém, quero crer, nada grossa...), explicando que não tenho como ajudar. A internet tem muita coisa, já, e o bom tradutor é aquele que gosta de pesquisar... Quem tem preguiça, já é carta fora do baralho.
"Caveat": sou muito direta, por favor não se ofenda, mas é o meu jeito.
Antes de mais nada, gostaria de receber uma amostra de um trabalho seu. Por favor, retire nome de cliente, qualquer coisa que possa identificá-lo. Preciso do original e da sua tradução. E, se você quiser enviar seu CV, incluindo cursos, estágio, trabalhos, software, recursos de informática etc, também é bom. Informe também seus preços e a forma de cobrança.
Por quê peço a amostra de trabalho?
Porque antes de mais nada é preciso ver se o produto apresentado é bom. Se o problema estiver no seu trabalho em si, na qualidade da sua tradução, aí é estudar e tentar melhorar - não é um problema de mercado, nem de falta de clientes.
Em segundo lugar, gostaria de deixar claro que:
- dificilmente repasso trabalhos. Não vou dizer "Nunca" porque nunca se sabe o dia de amanhã, mas no momento, o meu perfil é o de tradutora e não de agente de serviços de tradução. Explico: demoro muito para revisar, e sou muito rápida na tradução - portanto, é mais rentável, para mim, fazer a tradução diretamente ao invés de repassar para alguém, revisar e entregar para o cliente.
- quando ocorre de não conseguir dar conta das traduções, o que é raríssimo, não repasso o trabalho, mas posso indicar algum profissional diretamente para o cliente. Ou seja, o cliente entra em contato direto e eu não tenho a menor responsabilidade por nada (nem do lado do cliente, nem do tradutor). Pode ser que o cliente fique cativo do tradutor indicado, pode ser que volte para mim. Nunca se sabe. Portanto, só faço isso quando não tenho interesse naquele cliente, ou é um cliente que traduz poucas coisas - claro. Mas, claro de novo, não indico qualquer pessoa, porque se der 'caquinha' o cliente pensa "pô, mas foi a Adriana que indicou, então a Adriana também não presta". Tenho já alguns colegas, claro, que sei que são bons, que já indiquei. Se eu achar o mesmo de você, também posso colocá-la na lista de profissionais que podem ser indicados - mas, repito, isso é raro.
(...)
Sinceramente, minha postura pessoal e profissional (até por criação familiar) sempre foi de me virar sozinha. Rapidinho, a meu respeito: sou formada em Publicidade (Metodista, São Bernardo) e Direito (UniSantos), jamais exerci nenhuma das duas. Fui trabalhar em banco internacional (estágio de 2 anos), onde fiquei 7 anos. Um ano antes de sair, casei com um inglês. Estava insatisfeita com minha carreira, comecei a pensar em outras opções: tradução. Sempre estudei inglês, levava jeito para a coisa. Comecei a participar de listas de tradutores na internet. Fiz um curso rápido (2 semanas) de tradução para legendagem e dublagem. Saí batendo em porta de estúdios, pedindo um teste. Fiz, passei, estou com um deles até hoje. Na mesma época, participei de um evento na USP (semana de tradução, em 98), para conhecer o mercado. Quietinha, só vendo "como era", sem perguntar para ninguém.
Ou seja, não pedi ajuda a ninguém, diretamente. Muita gente me ajudou, mas através dos exemplos, das opiniões, que fui coletando aqui e ali, e que ajudaram a formar a minha "persona" tradutória, que se somou ao que eu sou mesmo. Como lidar com um cliente, como entregar um trabalho, essas coisas acessórias, tão ou mais importantes que a tradução em si.
Não posso fazer um manualzinho. Ou até poderia fazer, mas só quando estiver perto da aposentadoria, e para vender - junto com os cursos e as palestras, claro. :-) Mas seria um manual do que funciona para mim. Para os meus clientes. Há outros jeitos, outras formas, tão bem-sucedidas quanto. Mas, sendo muito sincera, não vou fazer isso agora, em que também batalho, todos os dias, para aumentar minha carteira de clientes. Não posso entregar isso de mão beijada... Seria ingenuidade da minha parte... A concorrência pode ser amigável, mas ainda assim é concorrência!
Por enquanto, atuo como tradutora, eu diria que com sucesso, mas esse sucesso não cai do céu. Claro, tenho muitos contatos (ex-colegas de banco, gente que se vai conhecendo pela vida, até o meu irmão que me passa trabalhos da empresa onde ele está, agora), que me facilitaram a obtenção de clientes, mas se eu fizesse 'caquinha', eles me diriam "olha, Adriana, eu gosto de você como amiga, mas não posso mais passar trabalho, não". Negócios, negócios, amigos à parte, não é?
E é isso que eu acho que falta na maior parte dos formados em tradução. Falta vivência. Faltam contatos. Falta experiência de vida. E a faculdade, vamos e venhamos, não ajuda em nada. Vocês ficam lá, traduzindo os grandes autores, e os professores de vocês geralmente não são profissionais da área, são acadêmicos, não conhecem as tecnologias com que temos que lidar, não sabem o que fazer com a parte burocrática da nossa profissão (abrir empresa, continuar como autônomo?), geralmente não sabem o que é ter que traduzir 10 mil palavras em dois dias, e soltam no mercado profissionais também despreparados nessas questões - achando que se tem tempo de revisar dez vezes a tradução, de "deixar dormir" antes da última revisão e da entrega... Coisas lindas, mas que são difíceis de manter na prática.
A nossa carreira é, na maior parte, prestação de serviços, e disso ninguém fala na faculdade - espera-se que o aluno encontre "um emprego" numa agência de tradução, ou empresa, ou que vire "tradutor literário", o que meio que deixa o tradutor como um "fixo" nas editoras...
Desculpe o balde de água fria, coloquei aqui um monte de coisas que nem sei se têm a ver com você, mas espero ter fornecido dados para que você possa pensar a respeito.
Se você quiser que eu avalie sua experiência etc, envie os dados que pedi. Não digo que farei isso rapidamente, mas tentarei fazer assim que for possível.
No mais, recomendo que você encontre o seu nicho, pesquise sobre as coisas que te interessam na internet, entre em contato com agências de tradução (pagam pouco, mas muitas vezes são uma boa escola, um bom começo - meu caso foi diferente, mas sei que sou a exceção da regra, até pela experiência que já tinha na área financeira).
Atenciosamente
Adriana"
Muitas vezes, quem está de fora acha que a gente tem uma fórmula mágica para conseguir clientes. Não tem. Quer dizer, até tem, mas é aquela velha conhecida de todos - batalhar, batalhar, batalhar, apresentar um trabalho excelente, e batalhar mais um pouco, montar uma estrutura profissional, aprender a lidar com clientes, ter postura profissional, e batalhar. Eu não conheço outro jeito.
Faz tempo que não coloco nada aqui - aliás, faz tempo que não faço nada além de trabalhar, trabalhar, trabalhar!!! É ótimo, eu sei, não me queixo - mas os prazos podiam ser um pouquinho mais tranquilos... (mas se fossem eu ia deixar para a última hora, então é melhor não mudar nada!).
Estou aqui, me aquecendo para mais um dia de trabalho, e resolvi apagar algumas mensagens do meu Outlook Express. Quase não o uso mais, pois tenho usado o gmail.com - e estou muito satisfeita. Então, aos poucos, vou limpando o OE.
Achei uma mensagem antiga, de novembro de 2005, enviada em resposta a uma mensagem de uma moça, formada na faculdade de Tradução havia 4 anos e que estava com dificuldade para entrar no mercado.
Acho que ela se ofendeu com os meus comentários, pois enviou uma mensagem educada, mas tipo "desculpe ter incomodado". Expliquei novamente o meu jeito, mas enfim, não recebi resposta.
Antes de jogar a mensagem fora, achei uma boa colocá-la aqui, apenas editando algumas passagens mais específicas. Espero que sirva para alguém. Meu jeito de escrever é muito direto e algumas pessoas se ofendem - mas considerem que foi uma resposta escrita às pressas, então não dá para ficar enfeitando muito.
No primeiro email, ela se apresenta e reclama da falta de clientela e que os "bicos" que fazia eram arrumados através de indicações de amigos.
O principal, que acabei não cobrindo na minha resposta a ela, é a postura. Se você considera aquilo que você deseja que seja sua carreira como um "bico", a coisa vai mal. Tem que dizer "sou tradutora", mesmo que não traduza nada há alguns meses. E dizer com orgulho, de boca cheia. E tem que batalhar trabalho, e não ficar aguardando indicações. Quando somos autônomos, ou empresários, profissionais independentes, o que seja - não podemos ser tímidos.
"Olá, XXXXX
Normalmente eu não atendo pedidos de orientação, ajuda, conhecer o mercado etc, por email ou por telefone. Mas, por ser um pedido de um colega de trabalho do meu irmão, abri uma exceção no seu caso.
Não é convencimento, nem nada do gênero, mas como participo muito de diversos fóruns pela internet, muita gente entra em contato e pede "uma força", "uma orientação", "trabalhos excedentes", "indicações" etc. Sou extremamente ocupada, mal tenho tempo de fazer o que preciso (se visse meu escritório, você ia entender!), tenho um filho de 2 anos, marido, casa, etc. E, se vou parar para escrever uma mensagem para cada um, tomo tempo do meu trabalho, do meu convívio familiar, do meu sono... Então, normalmente, escrevo uma mensagem bem curta (porém, quero crer, nada grossa...), explicando que não tenho como ajudar. A internet tem muita coisa, já, e o bom tradutor é aquele que gosta de pesquisar... Quem tem preguiça, já é carta fora do baralho.
"Caveat": sou muito direta, por favor não se ofenda, mas é o meu jeito.
Antes de mais nada, gostaria de receber uma amostra de um trabalho seu. Por favor, retire nome de cliente, qualquer coisa que possa identificá-lo. Preciso do original e da sua tradução. E, se você quiser enviar seu CV, incluindo cursos, estágio, trabalhos, software, recursos de informática etc, também é bom. Informe também seus preços e a forma de cobrança.
Por quê peço a amostra de trabalho?
Porque antes de mais nada é preciso ver se o produto apresentado é bom. Se o problema estiver no seu trabalho em si, na qualidade da sua tradução, aí é estudar e tentar melhorar - não é um problema de mercado, nem de falta de clientes.
Em segundo lugar, gostaria de deixar claro que:
- dificilmente repasso trabalhos. Não vou dizer "Nunca" porque nunca se sabe o dia de amanhã, mas no momento, o meu perfil é o de tradutora e não de agente de serviços de tradução. Explico: demoro muito para revisar, e sou muito rápida na tradução - portanto, é mais rentável, para mim, fazer a tradução diretamente ao invés de repassar para alguém, revisar e entregar para o cliente.
- quando ocorre de não conseguir dar conta das traduções, o que é raríssimo, não repasso o trabalho, mas posso indicar algum profissional diretamente para o cliente. Ou seja, o cliente entra em contato direto e eu não tenho a menor responsabilidade por nada (nem do lado do cliente, nem do tradutor). Pode ser que o cliente fique cativo do tradutor indicado, pode ser que volte para mim. Nunca se sabe. Portanto, só faço isso quando não tenho interesse naquele cliente, ou é um cliente que traduz poucas coisas - claro. Mas, claro de novo, não indico qualquer pessoa, porque se der 'caquinha' o cliente pensa "pô, mas foi a Adriana que indicou, então a Adriana também não presta". Tenho já alguns colegas, claro, que sei que são bons, que já indiquei. Se eu achar o mesmo de você, também posso colocá-la na lista de profissionais que podem ser indicados - mas, repito, isso é raro.
(...)
Sinceramente, minha postura pessoal e profissional (até por criação familiar) sempre foi de me virar sozinha. Rapidinho, a meu respeito: sou formada em Publicidade (Metodista, São Bernardo) e Direito (UniSantos), jamais exerci nenhuma das duas. Fui trabalhar em banco internacional (estágio de 2 anos), onde fiquei 7 anos. Um ano antes de sair, casei com um inglês. Estava insatisfeita com minha carreira, comecei a pensar em outras opções: tradução. Sempre estudei inglês, levava jeito para a coisa. Comecei a participar de listas de tradutores na internet. Fiz um curso rápido (2 semanas) de tradução para legendagem e dublagem. Saí batendo em porta de estúdios, pedindo um teste. Fiz, passei, estou com um deles até hoje. Na mesma época, participei de um evento na USP (semana de tradução, em 98), para conhecer o mercado. Quietinha, só vendo "como era", sem perguntar para ninguém.
Ou seja, não pedi ajuda a ninguém, diretamente. Muita gente me ajudou, mas através dos exemplos, das opiniões, que fui coletando aqui e ali, e que ajudaram a formar a minha "persona" tradutória, que se somou ao que eu sou mesmo. Como lidar com um cliente, como entregar um trabalho, essas coisas acessórias, tão ou mais importantes que a tradução em si.
Não posso fazer um manualzinho. Ou até poderia fazer, mas só quando estiver perto da aposentadoria, e para vender - junto com os cursos e as palestras, claro. :-) Mas seria um manual do que funciona para mim. Para os meus clientes. Há outros jeitos, outras formas, tão bem-sucedidas quanto. Mas, sendo muito sincera, não vou fazer isso agora, em que também batalho, todos os dias, para aumentar minha carteira de clientes. Não posso entregar isso de mão beijada... Seria ingenuidade da minha parte... A concorrência pode ser amigável, mas ainda assim é concorrência!
Por enquanto, atuo como tradutora, eu diria que com sucesso, mas esse sucesso não cai do céu. Claro, tenho muitos contatos (ex-colegas de banco, gente que se vai conhecendo pela vida, até o meu irmão que me passa trabalhos da empresa onde ele está, agora), que me facilitaram a obtenção de clientes, mas se eu fizesse 'caquinha', eles me diriam "olha, Adriana, eu gosto de você como amiga, mas não posso mais passar trabalho, não". Negócios, negócios, amigos à parte, não é?
E é isso que eu acho que falta na maior parte dos formados em tradução. Falta vivência. Faltam contatos. Falta experiência de vida. E a faculdade, vamos e venhamos, não ajuda em nada. Vocês ficam lá, traduzindo os grandes autores, e os professores de vocês geralmente não são profissionais da área, são acadêmicos, não conhecem as tecnologias com que temos que lidar, não sabem o que fazer com a parte burocrática da nossa profissão (abrir empresa, continuar como autônomo?), geralmente não sabem o que é ter que traduzir 10 mil palavras em dois dias, e soltam no mercado profissionais também despreparados nessas questões - achando que se tem tempo de revisar dez vezes a tradução, de "deixar dormir" antes da última revisão e da entrega... Coisas lindas, mas que são difíceis de manter na prática.
A nossa carreira é, na maior parte, prestação de serviços, e disso ninguém fala na faculdade - espera-se que o aluno encontre "um emprego" numa agência de tradução, ou empresa, ou que vire "tradutor literário", o que meio que deixa o tradutor como um "fixo" nas editoras...
Desculpe o balde de água fria, coloquei aqui um monte de coisas que nem sei se têm a ver com você, mas espero ter fornecido dados para que você possa pensar a respeito.
Se você quiser que eu avalie sua experiência etc, envie os dados que pedi. Não digo que farei isso rapidamente, mas tentarei fazer assim que for possível.
No mais, recomendo que você encontre o seu nicho, pesquise sobre as coisas que te interessam na internet, entre em contato com agências de tradução (pagam pouco, mas muitas vezes são uma boa escola, um bom começo - meu caso foi diferente, mas sei que sou a exceção da regra, até pela experiência que já tinha na área financeira).
Atenciosamente
Adriana"
Muitas vezes, quem está de fora acha que a gente tem uma fórmula mágica para conseguir clientes. Não tem. Quer dizer, até tem, mas é aquela velha conhecida de todos - batalhar, batalhar, batalhar, apresentar um trabalho excelente, e batalhar mais um pouco, montar uma estrutura profissional, aprender a lidar com clientes, ter postura profissional, e batalhar. Eu não conheço outro jeito.
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